Projeto Talhão

 

Quando, em 2009, Luís Margaça abraçou este projeto familiar, representando a terceira geração da Família Margaça, estava consciente da importante missão (e desafio) que herdava: valorizar os autênticos vinhos de Pias.  

Este trabalho não se faz, certamente, pela batalha (inglória) na prateleira, mas sobretudo pela procura constante por novas abordagens aos verdadeiros e genuínos vinhos da região. Para tal, não bastava empoderar o rótulo ou educar a resistente cadeia de consumo. Seria necessário comprovar que esta região se destaca pela qualidade – e não pela quantidade. 

Depois da reorganização da gama de vinhos da Família Margaça, com destaque para o lançamento da homónima coleção “Família Margaça”, um importante momento em que se afastou da confusão da prateleira, a Família Margaça decidiu continuar a investigar e a experimentar o potencial das suas vinhas e castas. Fê-lo com um profundo respeito pela história da região e características naturais do terroir, às quais juntou uma visão inovadora – quer na forma, quer no conteúdo.  

No tempo certo, surgiu aquilo a que chamamos de “Projeto Talhão”. Sem grandes manobras de marketing no nome, este trabalho foca-se, essencialmente, na plantação organizada de castas, divididas por “talhões” ao longo dos cerca de 138 dedicados exclusivamente à plantação de vinha. O primeiro exercício foi realizado em 2019: as uvas provenientes destes “talhões” foram submetidas a microvinificações para testar o seu potencial. 

 

 

TALHÃO 37  

Foi no “Talhão 37”, dedicado à casta Petit Verdot, que encontramos o primeiro exemplar daquela que pretendemos que seja uma coleção única e intemporal. A elevada qualidade destas uvas rapidamente nos inspirou para o trabalho na adega, que incluiu um estágio em barricas novas de carvalho francês durante 12 meses.  

Estava desfeito o primeiro preconceito dos vinhos da região: o Família Margaça Talhão 37 é um vinho robusto e opulento, pronto para ser bebido, mas que beneficiará com 3 a 5 anos de guarda. Este novo perfil conferiu-lhe, de imediato, o estatuto de primeiro topo de gama da casa, mas também o primeiro capítulo de um manifesto pela valorização da região. A afirmação junto do consumir passará pela diferenciação, pela qualidade, pela honestidade – e isso não é replicável.  

 

TALHÃO 01  

Em novos ensaios, na colheita de 2020, servimo-nos das virtudes do tempo e da precisão para elevar a qualidade que a casta Touriga Nacional anunciava ainda na vinha do talhão 1, localizada em pleno Monte Branco. Depois de 12 meses de estágio em barricas de carvalho francês, essenciais para aprofundar todos os aromas e nuances de prova que se querem garantir num topo de gama, estávamos prontos para o engarrafamento de um novo Talhão: o Família Margaça Talhão 01. 

 

Este é um projeto que depende não apenas das terras ou gentes de Pias, mas de todos os que têm contribuído com a sua voz ou palavras, ao longo dos últimos anos, pela defesa da região. Este é um projeto que também é seu. 

TALHÃO 02

Foi no “Talhão 02”, onde a casta Sousão ocupa 4,5 hectares de vinha plantada em 2015, que encontrámos o terceiro capítulo do Projeto Talhão. Uma casta de forte expressão no Norte de Portugal, mas ainda pouco explorada no Alentejo, onde tem assumido sobretudo um papel secundário na composição de lotes. A qualidade excecional da colheita de 2021 despertou a curiosidade da equipa de enologia e deu origem a um novo desafio: revelar todo o potencial do Sousão através de um vinho monovarietal.

Nascia assim o Família Margaça Talhão 02, um vinho de personalidade vincada, daqueles que antecipávamos ser capaz de dividir opiniões, mas nunca de deixar indiferente. Mais do que uma aposta numa casta pouco convencional na região, este vinho representa a coragem de explorar novos caminhos e de continuar a afirmar a qualidade e a diferenciação dos vinhos de Pias. Um novo capítulo de um projeto que procura valorizar cada parcela, respeitar a sua identidade e demonstrar que o Alentejo tem ainda muito por revelar.